quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

RELATOS DE VIAGEM À PATAGÔNIA - DIA 08


16 de março de 2014

Para ir ao Parque Nacional Torres del Plaine (http://www.torresdelpaine.com) tomamos a estrada para a cidade de Cerro Portillo. Estrada cimentada de ótima qualidade e pouco movimentada. Estamos falando do Sul do Chile, naquela ponta final, lá no Sul da América do Sul, na Patagônia Chilena, um lugar perdido no planeta Terra. Puerto Natales tem dez mil habitantes, vive do turismo e de um comércio local e, claro, de uma produção pecuária diversa: vacas e bois, carneiros e ovelhas, avestruzes e guanacos. Para que servem os guanacos?

O guanaco (Lama guanicoe) é um camelídeo nativo da América do Sul, cuja altura varia entre cento e sete a cento e vivente e dois centímetros. Pesa cerca de noventa quilogramas e apresenta uma pelagem de cor muito pouco variável, uma nuance de marrom-claro e canela, sendo mais peludo no tórax e no abdômen. A face de um guanaco tem um tom acinzentado e as orelhas, pequenas, ficam em pé. Sua característica marcante são seus grandes olhos castanhos (utilizados para se manter atento a qualquer perigo), a forma corporal equilibrada e a enorme energia. O nome guanaco vem da língua sul-americana quéchua (da palavra huanaco). O guanaco, assim como o lhama, é um mamífero ruminante. Ao contrário das outras espécies de camelídeos, este animal tem pelagem mais curta, podendo passar quatro dias sem água. No Chile e na Argentina, são mais numerosos em algumas regiões da Patagônia, em lugares como o Parque Nacional Torres del Plaine e na Ilha Grande da Terra do Fogo. Nestas zonas, existem limitações em matéria de concorrência com gado bovino. Alguns índios bolivianos ficaram conhecidos por ajudar a população de guanacos a recuperar sua estabilidade populacional. O tempo de vida normal de um Guanaco é de vinte a 25 anos (http://video.nationalgeographic.com/video/guanacos). Como a carne de guanaco não é enormemente apreciada, a convivência com esses belos e altivos animais é controversa (http://wp.clicrbs.com.br/territoriolatino/2014/10/03/caca-ao-guacano-provoca-controversia-na-terra-do-fogo/).

Voltando ao relato da viagem, a paisagem desde Puerto Natales até o Lago Grey, onde nos hospedamos, é isso que se vê. Ou melhor, até Cerro Portillo é isso que se vê, vários tipos de rebanhos, depois de Cerro Portillo praticamente só se vê guanacos. Muitos guanacos correndo livremente nos pastos ao lado da estrada e mesmo alguns na estrada. São lindos. E parecem dóceis. Fazem pose para fotografia. A paisagem varia muito pouco. A estrada até Cerro Portillo é plana, sem muitas curvas e pouquíssimos aclives e declives. Puro pasto. Uma vegetação rala e verde desbotada.

Depois de Cerro Portillo a estrada é de terra, plana no começo, depois plena pequenos de aclives e declives e muitas curvas. Sempre havia o perigo de encontrar um outro carro na curva (aconteceu algumas vezes) ou de receber uma pedrada no para brisa, pela estrada pedregosa, o que felizmente não aconteceu. O caminho é lindo, cheio de lagos e de guanacos. Não os conhecia antes dessa viagem e agora os vejo às dezenas, rebanhos inteiros nos vales e montanhas. No meio do trajeto tem a entrada do Parque, uma portaria com uma jovem bonita que nos recebe e cobra trinta e seis dólares por pessoa, ou dezoito mil pesos chilenos. A entrada de parque mais cara que já visitei. Mas paguei sem reclamar, pois valia a pena.

Mais ou menos duas horas depois de passarmos a portaria do parque, chegamos ao Hotel Lago Grey (http://www.lagogrey.com/es/). Simples por fora, construção de madeira, luxuoso por dentro. O pessoal de serviço é super gentil, sorridentes e multilíngues. O hotel é caro para os padrões normais (quase oitocentos reais o quarto de casal), mas, imagine, um hotel luxuoso em meio a essa maravilha de paisagem, quase no fim do mundo, ou no meio do nada. No quarto comemos nossa refeição comprada em Punta Arenas. Mais simples e barata e nos concedeu energia para o que viria depois.

Depois? Êxtase. O passeio de barco pelo Lago Grey é simplesmente maravilhoso. Caminhamos certa distância até o barco, bem grande e lotação completa, o trajeto até as geleiras maiores dura quase uma hora. A visão das montanhas com seus cumes gelados e pequenas geleiras desgarradas é algo surreal de tão bela. Os botões das máquinas fotográficas disparavam a todo segundo, era uma disputa pelos lugares mais interessantes para uma boa foto. Um revezamento entre as pessoas era necessário para que todos tivessem suas maravilhosas fotos para mostrar em casa.

Após o passeio de barco ainda tivemos tempo para um passeio nos arredores, banho e nos encontramos de novo no restaurante para o jantar: um filé mignon sangrando com batatas fritas e molho de pimentos, delicioso. O vinho era um Missiones del Rengo 2012, carmenère, de quinze mil e novecentos pesos chilenos (trinta e outo dólares), ótimo custo/benefício. Total do jantar, sessenta e dois mil pesos chilenos ou cento e cinquenta dólares para quatro pessoas. Preço razoável considerando a qualidade da refeição e a maravilha de local. Antes de ir dormir pedimos um lanche para levar no dia seguinte, para servir de almoço na vigem. Quatro sanduiches e mais água e suco para pegar no café da manhã antes de partir para nova viagem.

O melhor da noite ainda estava por vir. Nosso quarto tinha uma saída de vidro para uma varanda com vista para as montanhas e para o Lago Grey. Podíamos ver as montanhas e o lago sem sair do quarto. O presente do universo para nós veio em forma de uma belíssima lua cheia. Quase não dormimos. Estávamos extasiados pela beleza da noite, Fria e bela.