quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CONHECIMENTOS E RESIGNIFICAÇÕES

06/02/2014

Conhecer, saber, informar-se, compreender, entender, capacitar-se, habilitar-se: são muitas as nuances do aprendizado e muitos verbos com significados próximos, e diferentes, sobre essas nuances. Lembrei-me de um artigo que li em uma revista científica sobre a cultura indígena: afirmava que tribos amazonenses tem trinta e duas palavras diferentes para distinguir diversos tons de verde. Contei isso para uma amiga chinesa, como quem conta vantagens, ela me disse que os povos habitantes dos desertos gelados do norte da China também tem trinta e duas palavras diferentes para distinguir os diversos tons de branco. Chamou-nos atenção o fato do número ser o mesmo: trinta e duas palavras. Trinta e dois tons de cores, para as diversas cores? Existiriam trinta e duas palavras diferentes para distinguir “tonalidades” de conhecimento? Iniciemos uma lista. Sete palavras já foram escritas no início desta crônica, quem quiser ajudar a fazer crescer a lista enviem-me as palavras, com seus significados. Eu já passei por vários desses estágios e, recentemente, acrescentei uma palavra por minha conta e risco: resignificar, palavra que o dicionário online de meu editor de texto se recusa a validar. Preciso resignificar isso.
Mas o que seria resignificar? O conhecimento é como uma bola de neve montanha abaixo: vai crescendo à medida que a bola rola. Vai se acumulando, se acrescentando aqui e ali. Todas as teorias do conhecimento, de Rousseau a Paulo Freire, passando por Piaget, Vigotsky, Vallon e Maturana, são unânimes em dizer que conhecimento não brota em árvores. É preciso conhecer, para conhecer mais. É preciso ter conhecimentos prévios para se apropriar de conhecimentos novos, e para que esses conhecimentos novos tenham significados. Essa é a base, por exemplo, da Aprendizagem Significativa, de Ausubel. E resignificar? O que seria uma Aprendizagem Resignificativa?
Arrisco dizer que resignificar conhecimentos é tirar lições positivas de conhecimentos acumulados mesmo que a experiência inicial em sua primeira, ou anterior, apropriação tenha sido negativa. Resignificar é eliminar traumas transformando-os em lições de vida. Resignificar é aumentar a bola de neve e ver seu potencial de energia crescente à medida que desce o morro, é ver seu potencial transformador e não seu potencial destruidor.
Ernest Heminguay perdeu os originais de seu romance em um naufrágio no Mediterrâneo e foi para Paris choramingar com Gertrude Stein. A escritora americana deu-lhe o melhor conselho que poderia dar: - “Escreva de novo, certamente sairá melhor”. Por quem os sinos dobram não é apenas, provavelmente, melhor que os originais afogados. É uma obra prima, merecedora do Nobel. Isso é resignificar. Transformar o conhecimento, ou qualquer outra das trinta e duas palavras (considerando que teremos trinta e duas palavras para isso), em novo e mais positivo conhecimento.