domingo, 22 de dezembro de 2013

ENFIM, ADULTO.


22/12/2013

Certa vez li, ou ouvi de alguém, que adulto é o cara que "cuida de si e do outro". Eu ficava implicado: Que outro? Quem é o outro? Qualquer outro. Enquanto não se cuida de um outro não se é adulto, de fato. Há alguns meses passo entre doze e vinte e quatro horas por semana a cuidar de meu pai. Cuidar mesmo. Dar comida, por na cama, dar banho, fazer a barba, controlar remédios, empurrar cadeira de rodas, levar ao médico, colocar o marreco para que ele faça xixi, contar histórias para alegrá-lo, limpar seu cocô, trocar a bolsa de colostomia quando ela se solta e suja tudo em volta, ouvir sua voz rouca e adivinhar os complementos das frases, etc. E ter sempre um sorriso no rosto para que o ambiente fique leve.

Eu já fiz muito isso cuidando de filhos, esses "outros" pequeninos. Só que agora cuido de um "outro" adulto que, no passado, cuidou de mim. Nunca havia conjugado dessa maneira o verbo cuidar. Nunca havia entendido tanto o verbo cuidar. 

Todas as vezes que deixo meu pai eu o agradeço por permitir que eu cuide dele e aprenda tanto. Creio que, agora sim, virei adulto. Finalmente.