domingo, 10 de novembro de 2013

DISTÂNCIAS E PROXIMIDADES


Distâncias são sempre relativas. E sempre que nos afastamos há algo que nos aproxima do ponto de origem, mesmo que distante. Minas Gerais nunca esteve tão próximo de mim que quando morei no exterior. Dizem os mineiros que levamos a terra junto em nossas viagens. Uma terra que gruda no fundo dos bolsos.

Levamos os sabores, por exemplo. Do pão de queijo e da broa de fubá, sem dúvida. Também a música. Levamos o Clube da Esquina inteiro na mochila. Levamos a viola caipira e a moda de viola dos mucuris e jequitinhonhas das gerais. Levamos os congados e os candombes. Mineiro é assim, talvez sejamos todos assim. Viajamos e levamos nos bolsos nossa ancestralidade, nossa cultura. É quando o longe fica perto. E vamos agregando outros valores. Uma coisa que fazemos bem também é degustar a cultura alheia e nos apropriarmos dela. É a nossa antropofagicidade, elemento presente na cultura brasileira.

Certa vez um jovem franco-libanês habitante de Marseille, no sul da França, veio ao Brasil encontrar e conhecer seus primos brasileiros-libaneses. Assustou-o o fato de que seus primos não falavam árabe. Eram mais brasileiros que libaneses. Nossa antropofágica cultura se alimenta das outras culturas. Nesse movimento inverso a distância os afastou em vez de aproximar.


Distâncias e proximidades são relativas.