quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CAMINHADA NO ESCURO


Meus olhos estavam vendados com uma tarja negra. Fui conduzido a colocar as mãos nos ombros de uma pessoa, confiar nela e segui-la. Coloquei as mãos em ombros macios indicadores de uma mulher alta e volumosa, mas nem tanto. De início, a sensação de caminhar no escuro seguindo alguém, como um cego, foi muito estranha. Depois me acostumei. Principalmente porque haviam pessoas nos guiando nos degraus e nos obstáculos. A pessoa em minha frente se portou como uma parceira. Ela também tinha seus olhos vendados e segurava os ombros de outra pessoa à sua frente. E aparava uma de minhas mãos para que eu não me desconectasse dela. Em meus ombros pousavam duas mãos de alguém que apenas identifiquei como sendo do sexo masculino pelo seu hálito, porque suas mãos eram delicadas sem ser femininas. Depois de uma volta pelo jardim (senti a grama nos pés) fomos introduzidos em uma sala onde tocava uma música suave e uma voz nos comandava para caminhar pela sala até encontrar uma outra pessoa, tocá-la, abraçá-la e falar em seu ouvido: o que procura e quais são seus medos? A pessoa que eu encontrei era uma mulher, cheinha de corpo, gostosa de abraçar, voz alegre e dissemos um para o outro que não tínhamos medo.


Em seguida nos desconectamos, procuramos uma segunda pessoa e repetimos o processo. Agora era uma mulher pequena e magra, também gostosa de abraçar. Depois uma terceira pessoa, desta vez um homem forte. E já quebrei um paradigma na primeira noite. Abraçar um homem desconhecido com carinho de velho amigo, mas ele se mostrava tão disponível que venci meu machismo na hora! Uma mulher também vendada se aproximou de nós e nos abraçou. Ficamos os três ali, em silêncio e abraçados até que fomos orientados a tirar nossas vendas e nos conhecermos. Algo muito estranho aconteceu. Aquele abraço de olhos vendados nos aproximou a todos. Quem seriam as duas primeiras pessoas? Isso nos torna cúmplices de todos imediatamente. Corri os olhos pela sala, após retirarmos as vendas e não identifiquei as duas mulheres que me abraçaram. Só tempos depois, com outros abraços (abraços tornaram-se linguagens), consegui identificar as lindas mulheres, agora amigas.