sexta-feira, 25 de outubro de 2013

PRESERVAR O MARACANÃ?


Em meio ao espólio da mineração Anglo Gold, antiga Morro Velho, em Nova lima, tem uma bela estrutura metálica conhecida como Maracanã. Trata-se de uma estrutura construída em um local onde se furaria um poço artesiano para abastecer casas e galpões de trabalho no interior da indústria mineradora. Por alguma razão o empreendimento foi abandonado e a estrutura lá permanece há anos. 

E porque Maracanã? Consta que aves chamadas maracanãs, parecidas com araras ou grandes periquitos, sobrevoavam constantemente a região e pousavam ruidosamente sobre a estrutura. E os operários passaram a denominar a estrutura com o nome das aves. Os maracanãs se foram, estão quase extintos hoje, a estrutura ficou.

O Maracanã faz parte de um conjunto de construções, algumas muito antigas, no pátio da mineradora, todas elas correndo o risco de demolição porque existe um projeto de transformação do local em um grande investimento imobiliário, demolindo a história de um trabalho que sempre foi um marco cultural da cidade de Nova Lima. Demolindo junto a própria história da mineradora. Demolição de valores parece ser o marco da renovação da história, repetindo as cenas de invasão de bárbaros às civilizações e suas culturas, desde tempos imemoriais. Os novos bárbaros parecem travestidos de empresários da construção civil, com seus caixotes de múltiplos andares.

Com a palavra o poder público da cidade de Nova Lima que pretende intervir no processo e preservar como patrimônio cultural da cidade boa parte dos galpões e construções naquele espaço, aqueles que seriam memória, ainda viva, do trabalho e do trabalhador na antiga mineradora. Óbvio que tudo passa pela pressão popular, mais importante que a pressão de algumas pessoas. E o Maracanã está entre essas construções que correm o risco de serem tombadas ao chão em vez de serem tombadas e preservadas pelo patrimônio municipal. Preservar o Maracanã é preciso.

Assim como o Maracanã novalimense, o estádio do Maracanã do Rio de Janeiro deve seu nome às aves que lá gorgeiam (ainda?): maracanã-verdadeira, periquitão-maracanã, maracanã-malhada, maracanã-guaçu (espécie outrora existente às margens do Rio Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro), maracanã-nobre (essa já extinta). Já que não existem mais tantos maracanãs na cidade, preservemos, pois, nosso Maracanã.