quinta-feira, 31 de outubro de 2013

DIA DE ENCONTROS


Tudo acontece nos movimentos, eu sempre o digo. Hoje saí cedo de casa, tinha um encontro com meu filho aniversariante. Ganhei uma carona até o centro da cidade, próximo ao Mercado Central, e subi a pé até o local do encontro, na Praça da Liberdade. No caminho dois outros encontros memoráveis. O primeiro com uma casa de pão de queijo, na rua Guajajaras entre rua São Paulo e rua Rio de Janeiro. Para mim um dos melhores pães de queijo de Belo Horizonte. Descobri essa casa há uns cinco anos e sempre que me encontro nas imediações até lá vou comer pelo menos um pão de queijo. Um real e dez centavos de gostosura, super barato. E como é uma região central de comércio e com muitas escolas próximas, o local está sempre cheio. O café é cortesia da casa e aí mora o perigo: o café é horrível. O modo de fazer café em que se coloca o pó na água para ferver junto e depois passar no coador de pano é um modo antigo da região das minas gerais mas, convenhamos, pó cozido não dá. O melhor café continua sendo aquele em que o vapor da água passa pelo pó e lhe apropria a cor e o aroma. Ou a água fervendo passa rapidamente pelo pó, sem cozinhá-lo. 

O segundo encontro foi com o Domingos, colega dos tempos de universidade, astrofísico. Havia muito tempo que não nos víamos e dez minutos de prosa foram instantes maravilhosos de rememorar e rir das muitas situações que vivemos juntos. Dois sessentões, e de que falamos, principalmente? Sobre os esportes que praticamos: eu, corrida e ciclismo; ele, caminhadas e patinação. Por isso estamos jovens e saudáveis. O assunto foi interrompido porque eu tinha um encontro na praça, ao lado dos quatro escritores de Minas, e não seria legal atrasar-me. Tratava-se, pois, de meu filho, aniversariante no mesmo dia que Carlos Drumond de Andrade, um de meus poetas preferidos.