domingo, 10 de setembro de 2017

SURFISTA


SURFISTA – Niuza põe a cara fora da janela e olha o céu e olha o mar. Um azul, outro verde. E uma linha em cor indefinida no encontro dos dois. Um bom dia para começar a praticar. Rapidamente fecha a janela, corre para o quintal e sai carregando a prancha nova, com assinatura do Ricardo Bocão bem no local onde se equilibra. Um dia ainda será surfista.
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

URDUME


Clara tecia todo dia a trama que lhe cabia. Ligava os fios, as cores que comporiam os desenhos do tecido acabado, e o urdume se fazia e se refazia a cada movimento seu no tear. O que Clara não sabia, mas intuitivamente percebia, era que ali também se traçava o urdume de seu dia a dia.

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sábado, 12 de agosto de 2017

CLAVICULÁRIO


Um senhor idoso foi atropelado na Avenida Afonso Pena, no meio da tarde de domingo. Ninguém o conhecia, ele não trazia nenhum documento no bolso. Apenas um molho de chaves. Muitas chaves. Alguém que poderia abrir tantas portas pelo menos era uma pessoa de responsabilidades. Um claviculário, única certeza.

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017


ARROZ DOCE – Comer era uma subversão naquele momento. O clima desagradável, a discussão que trazia à tona todas as mazelas daquele relacionamento, e todas as alegras também. Qualquer fala, qualquer gesto teria, àquela hora, um significado maior que sua realidade. Mas não deixava de pensar naquele prato de arroz doce na geladeira, sobra da refeição de ontem. Não resistiu. Abriu a geladeira.
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

CATADIÓPTRICO


Apontei minha luneta catadióptrica para um ponto no infinito. Além de Vênus, planeta visto em fase crescente no céu, surpreendentemente , vi meu picuá de cacos vagando pelo planeta. Quem o teria colocado em órbita? Provavelmente alguém que não gostaria de ver meus fragmentos de novo. Um amigo?

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PICUÁ


Juntei os cacos de minha existência, aqueles largados ao léu pelos caminhos por onde andei e que havia negligenciado em algum lugar de passagem. E quando pisava descalço sobre eles alguma velha ferida se abria e se contorcia. Catei-os todos, eu creio. Coloquei-os todos no mesmo picuá e guardei no fundo do armário. Estou dando adeus aos fragmentos. Dançarei flamenco.

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FLAMENCO


Ele a via todos os dias indo para o trabalho, gostava de seu semblante alegre, mostrando ser uma pessoa de bem com a vida. E o que ela fazia o resto do dia. Trabalharia? Moraria com os pais? Teria namorado? Estudaria em uma universidade? Aquele interesse em saber mais sobre ela cresceu e começou a segui-la. Descobriu facilmente a razão de sua alegria. Ela dança flamenco.

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